9. TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE 18.7.12

1. COMIDA LONGA VIDA
2. QUASE HUMANOS

1. COMIDA LONGA VIDA

De olho no que vai parar no lixo todos os dias, cientistas desenvolvem tecnologias de baixo custo para fazer os alimentos durar mais tempo nos campos e na geladeira
Larissa Veloso

SOBREVIDA - Novas tecnologias permitem que tomates durem at quatro vezes mais
 
Ao abrir a geladeira, um cheiro desagradvel j d uma ideia do estrago. Um odor azedo vem da gaveta de verduras, e o consumidor percebe que mais uma vez no deu para aproveitar tudo o que foi comprado na ltima feira. A vida curta de alguns alimentos, principalmente dos vegetais frescos,  um dos principais fatores de desperdcio de recursos naturais. Entre perdas por pragas nas plantaes, armazenamento inadequado e demora no consumo, 1,3 bilho de toneladas de comida apodrece e vai para o lixo, o equivalente a oito anos da produo de gros no Brasil. Em seu ltimo relatrio sobre o tema, a Organizao das Naes Unidas para a Agricultura e Alimentao (FAO) fez um alerta grave: Em um mundo com recursos naturais limitados e no qual ainda faltam solues para garantir nutrio a todos, reduzir o desperdcio de comida no deveria ser uma prioridade esquecida. A cincia tem combatido esse quadro e algumas das respostas tm aparecido.
 
Kavita Shukla  uma pesquisadora americana de origem indiana. Ainda adolescente, enquanto visitava parentes na ndia, ela descobriu uma mistura de ervas que sua av usava para prevenir infeces por gua contaminada. De volta aos EUA, ela resolveu testar aquele ch milagroso com vrios tipos de alimentos e descobriu que a mistura continha propriedades que evitavam a proliferao de bactrias. Desenvolveu ento uma embalagem de papel contendo a substncia e, aos 17 anos, patenteou a inveno. Hoje, aos 27, ela lanou a empresa Fenugreen, para produzir e vender as folhas de papel a baixo custo. Por ser to barato de produzir e exigir pouca tecnologia, o FreshPaper (como o produto  denominado) pode ser usado em larga escala por fazendeiros e revendedores, especialmente nos pases menos desenvolvidos, disse Shukla em sua palestra no evento TEDx, que rene os especialistas mais brilhantes de diversas reas ao redor do mundo. Garantir que pessoas sem geladeira mantenham seus alimentos por mais tempo virou um dos lemas da empresa.
 
Ph.D. em cincia de materiais, o americano James Rogers desenvolveu um spray que faz com que frutas e verduras durem mais. Depois de aplicado e seco, o produto forma uma fina camada comestvel sem cheiro nem sabor que impede que a comida perca umidade. Nossas expectativas so de vender o produto no mercado americano j no prximo ano, afirmou o inventor  ISTO.
 
Em outra instituio de prestgio dos EUA, o MIT, o professor Timothy Swager descobriu que a sua pesquisa para deteco de bombas em aeroportos poderia ajudar a aproveitar melhor os alimentos em casa. Como? O pesquisador desenvolveu sensores capazes de detectar pequenas quantidades de etileno, substncia que  liberada pelas frutas quando comeam a passar do ponto. Assim, o nariz criado pelo professor Swager pode avisar quando a carga est prestes a transpor a fase madura e deve ser consumida o quanto antes. Se essa tecnologia se popularizar e chegar s casas, o consumidor ganha um aliado para detectar o momento final para usar aqueles tomates esquecidos na gaveta de verduras.


2. QUASE HUMANOS

Pela primeira vez na histria, cientistas criam sistema que faz robs andar como homens e do um grande passo na busca pelo androide perfeito
 Juliana Tiraboschi 

Mais recente filme do diretor britnico Ridley Scott, Prometheus concentra a sua ao no distante ano de 2089. Nas primeiras cenas de uma viagem espacial, s o personagem David aparece na tela. Ele fala, se movimenta e raciocina. Tudo de maneira to perfeita que demora um tempo para a plateia se dar conta de estar diante de uma mquina. Pode parecer uma fico para os espectadores de hoje. Mas, se depender dos avanos da robtica,  possvel que daqui a 77 anos a busca pelo androide perfeito esteja encerrada e que vrios davids vivam no meio de nossos descendentes.
 
A novidade mais quente vem de cientistas da Universidade do Arizona (EUA), que conseguiram criar a perna robtica com o andar mais humano j inventada. Pode parecer um pequeno passo para a humanidade, mas fazer robs andar como homens era um dos maiores desafios para os cientistas dedicados ao assunto. Segundo o pesquisador M. Anthony Lewis, para chegar ao resultado, foi preciso recriar parte de nosso sistema nervoso. Alm disso, a arquitetura da perna artificial segue a nossa estrutura muscular. Usamos vrios motores, que atuam em duas articulaes ao mesmo tempo, explica. Esse projeto ser til para estudar desordens relacionadas  locomoo, diz Theresa Klein, outra pesquisadora do grupo.
 
Enquanto esses pesquisadores tentam desenvolver pernas realistas, cientistas da Nasa e da GM se concentraram na parte de cima do corpo para criar o Robonaut 2. O objetivo  ter um androide que possa ajudar os humanos em trabalhos enfadonhos e cansativos (como em uma linha de montagem em uma fbrica) ou perigosos, como os relacionados  explorao espacial. Ns estudamos a mo humana e tentamos desenvolver movimentos similares nas articulaes dos dedos, diz Ron Diftler, gerente do projeto. 

Mas para coordenar pernas e mos so necessrios crebros. E tem muito cientista trabalhando na criao de mquinas com QI. Um exemplo  o DeeChee, simptico androide que faz parte do projeto iCub, plataforma criada pelo Instituto Italiano de Tecnologia e adotada por mais de 20 laboratrios pelo mundo. O DeeChee reproduz o desenvolvimento de um beb entre seis e 14 meses de idade. Assim como as crianas, no incio ele apenas balbuciava sons desconexos. Conforme foi ouvindo conversas, aprendeu a memorizar slabas e registrar os termos mais frequentes, at soltar suas primeiras palavras. Trabalhos como esse possibilitam desenvolver maneiras de nos comunicarmos com os robs, diz Caroline Lyon, pesquisadora da Universidade de Hertfordshire, na Inglaterra, e me de DeeChee.
 
Apesar de a partir de agora a robtica andar com as prprias pernas, os cientistas envolvidos nos projetos acreditam que estamos livres de um futuro em que mquinas travestidas de humanos circulem entre ns sem serem notadas. Teremos boas imitaes, mas acredito que sempre saberemos distingui-las, diz Diftler, diretor da Nasa para o projeto Robonaut 2. Isso porque talvez a robtica jamais consiga criar emoes.
